quarta-feira, 10 de junho de 2009

Luís Vaz de Camões


Hoje comemora-se o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades portuguesas.

Camões, talvez o maior poeta português de todos os tempos, foi quem melhor definiu o indefinível amor.

Deixo também, como homenagem, um excerto do Adamastor, de "Os Lusíadas"; Causa arrepio só de ouvi-lo ou lê-lo...

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

O Adamastor

Canto V - Os Lusíadas - Luís de Camões
….….
Porém já cinco Sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca outrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.

Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo o negro mar, de longe brada
Como se desse em vão nalgum rochedo.
— "Ó Potestade, disse, sublimada!
Que ameaço divino, ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor coisa parece que tormenta?

Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.

Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te, que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo:
Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo:
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
mim e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.

E disse: — "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas,
E navegar meus longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados de estranho ou próprio lenho:

- "Pois vens ver os segredos escondidos
Da natureza e do húmido elemento,
A nenhum grande humano concedidos
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mim, que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento,
Por todo o largo mar e pela terra,
Que ainda hás de subjugar com dura guerra.

"— "Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem
Com ventos e tormentas desmedidas!
E da primeira armada que passagem
Fizer por estas ondas insofridas,
Eu farei de improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo."

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Debalde

Há dias ouvi esta expressão que já não ouvia há muito tempo, lembrei-me que aparecia nos velhos contos e histórias infantis. Hoje já não se encontra nessas histórias, porque a linguagem sofre mudanças e vai-se adaptando aos tempos modernos. Terá que ser assim para captar o interesse das nossas crianças mas, não deixo de sentir alguma nostalgia em relação a este vocabulário. Alimentavam o nosso imaginário e achávamos engraçado por analogia com o objecto que serve para levar água.
Debalde significa: em vão , inutilmente, frustradamente. Pode ser aplicado em várias situações da nossa vida.
Debalde, às vezes, temos sonhos… por vezes concretizam-se.
Debalde nos esforçamos por ser felizes… por vezes conseguimos.
Debalde lutamos contra as adversidades… muitas vezes vencemos.
Debalde nos dedicamos a alguém… por vezes vale a pena.
…..
Debalde advérbio engraçado…