
Sempre gostei de desporto contudo, nunca fui adepta da prática de desportos radicais. Dão-me aquela sensação de perda de controlo, que não gosto de sentir.
Há algum tempo, recebi um convite para descer o rio Mondego de canoa. Não aceitei logo, muito embora tivesse curiosidade de experimentar. Fiz muitas perguntas: E se a canoa se vira? E se o rio tem muita corrente? E se eu não consigo controlar? E os rápidos? Convenceram-me que não era perigoso e aceitei, porém, cada vez que pensava nisso sentia um friozinho na barriga. Pensei: se os outros conseguem porque também não hei-de conseguir?
Lá fui, sempre com aquele friozinho na barriga. Depois de iniciada a viagem tivemos de remar, contornar obstáculos. Com o meu companheiro de viagem (a canoa era de duas pessoas) discutia estratégias para melhor avançar. A maior parte das vezes não estávamos de acordo e já só quase no fim da viagem consegui fazer entender ao meu companheiro (o meu filho), que se tivéssemos remado em sintonia teria sido menos cansativa a descida.
É assim, também na vida real nem sempre estamos em sintonia e por vezes já descobrimos demasiado tarde, que se tivéssemos remado no mesmo sentido, teria sido bem mais proveitoso e menos cansativo.
A descida do rio foi uma experiência inesquecível para mim. Para além da beleza natural que se aprecia, cheguei ao fim da viagem com a sensação de ter vencido uma batalha. Por vezes é preciso desafiarmo-nos e superarmo-nos a nós próprios, vencer o medo.
Vencer o medo, ultrapassar barreiras, superarmo-nos a nós próprios torna-nos mais conhecedores de nós mesmo, torna-nos mais fortes.
Estou a pensar seriamente em voltar a repetir esta experiência.
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